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Chiara e a Família

Todos contam na família! E eram mais de mil os participantes de todas as gerações, até alguns recém-nascidos, que se encontraram para celebrar ‘Chiara Lubich e a família’, em simultâneo, no Colégio de S. João de Brito, em Lisboa, e no Seminário de Vilar, no Porto.

O programa do dia 12 de março tinha, nos dois locais, uma linha comum: percorrer três grandes temas. “Família: rede de relacionamentos do eu ao nós”, “O amor: instrumento e resposta aos aspetos críticos da família” e “Família: recurso criativo para o tecido social de cada povo”. Três temas que podem sintetizar-se em três palavras: AMAR-se, PARTILHAR e  ABRIR-se. Amar-se reciprocamente, partilhar as dificuldades e abrir-se à humanidade.

A forma como se desenvolveu o programa em cada um dos locais foi distinta, dado que foi preparado e animado pelas comunidades dessas regiões. Em Lisboa, a grande riqueza da manhã foram os múltiplos testemunhos: casais de todas as gerações, não esquecendo filhos, tios e avós que contaram como o amor é sempre a resposta para os momentos do quotidiano, ou para as experiências mais marcantes como uma doença ou uma partida inesperada. Colocar em relevo as ‘pérolas’ deixadas por Chiara para a vida da família, através de excertos dos seus textos, discursos ou mensagens, era o objetivo desse dia em que se recordou Chiara Lubich. O domingo que antecedia o dia 14 de março, data da sua partida para o Paraíso em 2008. Foi também assim que se viveu a tarde no Porto, com experiências de quem procura construir a família, seja a dois, com os filhos, com outras famílias ou mesmo com aqueles que possam estar muito distantes. Ser “pais à distância” através da iniciativa “apoio à distância”, promovida pelas Famílias Novas, foi uma experiência enriquecedora de como uma pequena ajuda mensal pode mudar a vida de uma criança e da sua família, com um rosto e nome, numa outra parte do mundo.

Aos participantes na cidade do Porto foi feito um convite prévio: procurar nas suas pastas, caixas ou arquivos, as cartas que a própria Chiara lhes tinha escrito em algum momento da sua vida de família, pelo que a manhã iniciou-se com a leitura de algumas dessas cartas. ”Chiara escreveu-me” foi o título desse momento. Foram lidas cartas escritas por ocasião do matrimónio, da partida de um ente querido e até em resposta ao convite a participar na sua primeira comunhão.

As dinâmicas para aprofundar temas da atualidade e específicos da família eram também distintas. Em Lisboa existiram quatro fóruns que abordaram as temáticas da “Família e o Trabalho” (sucessos, desilusões, conciliações); “A dignidade da vida humana” (saber envelhecer, sofrimento, ser pais dos pais); “Partilho, Logo existo? As redes sociais na vida da família” (comunicar, ligar, desligar, o mundo nas tuas mãos). Em paralelo havia um programa para crianças e adolescentes, que seguia as mesmas temáticas adaptadas às diferentes idades. O fórum que decorreu na sala principal “Eu, tu, nós, encontros e desencontros” (diferenças homem/mulher, educar para o difícil, conflitos) contou com a presença do psicólogo espanhol, Iñaki Guerrero, vindo de Espanha para partilhar a sua experiência e conhecimento com as famílias presentes. Iñaki focou as temáticas da diversidade e da auto estima, temas centrais na vida de muitas famílias. “Foi a primeira vez que estive num evento dos Focolares. Para mim, a forma como o psicólogo trabalhou o tema da família foi maravilhoso pela objetividade e simplicidade.” comentou um dos participantes.

No Porto, as temáticas foram abordadas numa dinâmica de “diálogos em família”. Alguns minutos de um spot televisivo, filme do youtube ou mesmo desenhos animados lançaram o diálogo nas várias salas segundo os temas: “É possível aguentar a pressão entre o trabalho e a vida familiar?” (gestão do tempo, trabalho e família, com filhos pequenos); “É melhor discutir do que ficar sós?” (gestão de conflitos, perdão, para sempre); “Diálogo: entre o tom de voz de quem fala e o ouvir de quem escuta” (arte do diálogo, diálogo em casal e em família); “Novas tecnologias: instrumento ou dependência?”. Uma experiência vivida, uma questão, uma dúvida, uma síntese, um sofrimento, … tudo era um contributo para gerar diálogo e criar entre todos um clima de verdadeira família.

Algumas impressões descreviam o dia: “Foi a primeira vez que vim. Mas vou de coração cheio, o ideal de Chiara é o melhor lema para a vida”. “Foi o primeiro encontro que presenciei e fez-me muito bem a nível psíquico e emocional”. “A frase do dia que levamos para todos os nossos dias é ‘amar por primeiro’”. “Obrigado pela oportunidade e pelo carinho sorridente de todos”. “Fantástica abordagem, fascinante. Saio deste encontro com o coração cheio de fé e esperança. Obrigada a todos”.

Muitos estiveram pela primeira vez num evento do Movimento dos Focolares, outros participantes de muitos anos e agora já casados participavam com a sua família. Respirava-se um ambiente de família. Vários referiam que tinha sido uma verdadeira experiência da grande família dos Focolares. Havia mesmo quem lançasse o desafio de promover anualmente esta iniciativa: um evento de famílias, aberto a todos. O ano de 2017 em que se celebram os 50 anos de Famílias Novas continuará com outras iniciativas dedicadas à família, a próxima realizar-se-á no dia 16 de julho no Funchal.