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Gen Verde proclama unidade com um som pop na Jornada Mundial da Juventude

Quando o Papa Francisco aterrou no Panamá para a Jornada Mundial da Juventude 2019, algumas das primeiras palavras que proferiu destinavam-se a construir pontes e unidade entre as nações – palavras às quais foi dada voz através da música, na noite de sábado, como parte da vigília do Papa com os jovens.

Para o Gen Verde, o grupo musical que estará em Portugal de 27 de abril a 30 de maio, atualmente composto por 20 elementos de 15 países, utilizar a música para construir “uma cultura de paz, diálogo e unidade”, tem sido a sua missão desde 1966. O que começou com um sonho e uma bateria verde, tornou-se num grupo formado por artistas, que fazem uso da música para contar as suas histórias de vida.

Nascida na pequena cidade de Loppiano, em Itália, uma comunidade do Movimento dos Focolares, o Gen Verde já percorreu o mundo dando mais de 1.500 concertos. Embora possam ter um som pop ou rock familiar, a mensagem é muitas vezes transmitida pelas suas próprias experiências de vida.

Os participantes da Jornada Mundial da Juventude 2019 – festival juvenil apoiado pelo Vaticano, que ocorre a cada dois ou três anos numa cidade sempre diferente, em qualquer parte do mundo – ouviram um dueto em que uma americana e uma mexicana cantaram sobre a vida em lados opostos da fronteira.

Na sua canção, “Terra de paz – nosso terreno comum”, Nancy Uelmen e Adriana García, do Gen Verde, cantam em inglês e espanhol sobre as complexidades do debate sobre imigração e a sua humanidade compartilhada, apesar das complicações inerentes.

“Eu sou a parede. Sou o sonhador. Sou a liberdade. Eu sou o agente, eu sou as lágrimas da criança que precisa de um lar ”, cantam.

Numa entrevista, Uelmen disse que as músicas tem como finalidade “captar e partilhar as nossas experiências, as nossas histórias e o modo como tentamos viver o evangelho nas nossas vidas.”

Cantando sobre a situação na fronteira EUA/México, onde o governo federal Norte Americano paralisou serviços por mais de um mês, devido ao debate sobre se deveria fornecer fundos para o muro fronteiriço proposto, sublinham que as letras das suas canções dizem que “nós não queremos essa barreira entre nós.”

“Queremos encontrar um novo caminho”, continuou. “E nós queremos fazer do sofrimento de cada um o nosso próprio sofrimento “.

Antes do início da Jornada Mundial da Juventude, na quarta-feira, os membros do Gen Verde estiveram em zonas rurais do Panamá, onde trabalharam – e cantaram – com jovens de áreas carenciadas, ajudando-os também a perceber que as suas vozes são importantes.

Uelmen disse, ainda, que os membros do Gen Verde estavam na Praça de São Pedro quando o Papa Francisco proferiu pela primeira vez a sua frase imortal “uma cultura de encontro” – uma visão da Igreja e da sociedade a que elas esperam dar expressão com a sua música.

Para Uelmen, “a música é um modo de expressar a harmonia em vários níveis” – para além das notas e letras que cantam.

Sally McAllister, também do grupo Gen Verde, que cresceu na Irlanda do Norte durante os “confrontos”, em que o país foi violentamente dividido entre católicos e protestantes, concorda, dizendo que a música é um meio de dar expressão e uma prespetiva possitiva também à sua experiência.

Dos debates sobre o muro fronteiriço a outras divisões sociais ou religiosas, a música do Gen Verde fez-se ouvir no palco principal da Jornada Mundial da Juventude deste ano, na noite de sábado, com vozes da Coreia do Sul, Brasil, Argentina, El Salvador, Malásia, entre outros países, que deram eco ao discurso do papa sobre os temas da unidade, do encontro e da construção de pontes, emprestando-lhe novas formas de expressão.

“A música é um instrumento privilegiado para alcançar mentes e corações de uma forma que transcende as antigas barreiras que geralmente surgem quando se começa a conversar” diz Sally, que conclui “ A música é capaz de chegar de um modo completamente diferente ao coração ».

Em abril e maio o Gen Verde fará concertos em várias cidades de Portugal.