O Paulo José Melo, focolarino co-responsável do Movimento dos Focolares em Portugal, faleceu no dia 12 de Setembro, devido a uma doença grave que se manifestou repentinamente, no auge da sua atividade na Obra.
Conheceu o Movimento dos Focolares, num encontro de jovens, no ano de 1973 e passado algum tempo sentiu que Deus o chamava a deixar tudo “para ser seu discípulo”.
Depois de ter passado dois anos na cidadela de Loppiano (Florença), regressou ao focolar de Lisboa, e permaneceu em Portugal até ao fim de 1997, altura em que foi para Nairobi, como co-responsável da zona da África de Leste e, em 2009, para o Congo.
Numa das muitas cartas que escreveu, pode ler-se: “No coração uma única preocupação: que Jesus nasça e renasça em nós e entre nós, no nosso focolar, com as focolarinas e com a comunidade”.
Das inúmeras cartas que escreveu a Chiara Lubich, fundadora do Movimento dos Focolares, destacamos alguns breves excertos, escritos em 1998:
“Na minha vida há momentos em que tudo ao redor se cala, e fica apenas o colóquio pessoal, silencioso, inefável da criatura com o seu Criador. E, apesar do mistério das coisas de Deus, parece que, nesses momentos, a minha vida esteja um pouco mais próxima do desígnio de Deus (…). O sol põe-se em Nairobi. O céu é azul. As nuvens têm um branco dourado. Dentro de mim paz, desejo de santidade…”
“Queria também dizer-te da minha alegria por aquilo que está a surgir no campo da Economia, através da Economia de Comunhão. Eu estudei Economia, e a um certo ponto queria continuar os estudos. Mas a Obra tinha necessidade de mim, noutras frentes. Perdi isso e agora estou feliz ao ver o que está a surgir. Será, sem dúvida, uma dádiva para a humanidade.”
Mais recentemente, fazendo um balanço de si próprio, que confirma a sua fidelidade à vocação escreveu a Maria Voce, atual Presidente do Movimento dos Focolares:
“No processo de reflexão sobre a Obra hoje e sobre o futuro, encontrei-me a refletir sobre mim mesmo (…). Experimento no coração e na alma a alegria e o entusiasmo de ser um focolarino, de servir Deus nesta Obra. Como quando tinha 22 anos, e parti para Loppiano (…) e agora com a experiência, com os sucessos e os fracassos de alguns anos a mais.”
No dia 26 do passado mês de agosto, foi-lhe comunicado o resultado dos exames médicos. Depois de um momento inicial de comoção, disse: “É amor de Deus por mim, vivi toda a vida para este dia”. Nesta última, rapidíssima e inesperada etapa, fez brilhar a frase do Evangelho que tinha recebido de Chiara, para mais facilmente seguir Jesus: “Qualquer de vós, que não renunciar a tudo o que possui, não pode ser meu discípulo” (Lc 14,33). Viveu, de facto, no desapego contínuo de si mesmo para amar a Deus e ao próximo, com serenidade e confiança, em toda a sua vida.
Algumas imagens do funeral.
