Palavra de Vida – junho 2026

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«Pelo caminho, proclamai que está perto o reino dos Céus. (…)
Recebestes de graça, dai de graça»
 
 (Mt 10,7-8)

Neste capítulo do Evangelho de Mateus, os apóstolos tinham sido escolhidos por Jesus, que os chamou pelo nome, conferindo-lhes poderes especiais para expulsar os espíritos impuros e o dom de curar toda a espécie de doenças e enfermidades. Jesus dá-lhes instruções sobre onde e como realizar a sua missão inicial. A mensagem que devem anunciar é clara: «Está perto o reino dos Céus»[1].

A indicação de proclamar “pelo caminho” a mensagem que lhes foi confiada, sublinha, por um lado, que o verdadeiro discípulo é, antes de mais, um pregador da proximidade, e, por outro lado, que o próprio modo de caminharem juntos deve ser anúncio. De facto, no Evangelho de João, a seguir à entrega do mandamento novo, Jesus afirma: «Por isto é que todos conhecerão que sois meus discípulos: se vos amardes uns aos outros»[2].

«Pelo caminho, proclamai que está perto o reino dos Céus. (…)
Recebestes de graça, dai de graça»

O “reino dos Céus” é o coração do anúncio de Jesus. A expressão similar “reino de Deus” é usada no Antigo Testamento para indicar o domínio, o governo e a ação salvífica de Deus na história humana. Ele é o Senhor do mundo e sobretudo do povo de Israel, na expetativa de um descendente do rei David que restabelecerá o papel de Israel no meio dos povos. No Novo Testamento, Jesus é apresentado como o descendente de David e, portanto, rei. Diversamente dos reinos do mundo, o “reino dos Céus” é um reino de paz e de justiça, em que se cuida dos pobres, em que vigoram o perdão e a reconciliação e que levará vida e luz a todas as nações. Trata-se de um reino que já começou no mundo e no coração das pessoas, mas que verá a sua realização completa no regresso de Jesus.

«Pelo caminho, proclamai que está perto o reino dos Céus. (…)
Recebestes de graça, dai de graça»

Jesus anuncia que o reino está temporalmente “perto”, iminente. Pelas parábolas, como a do grão de mostarda e a do fermento que leveda toda a massa, compreende-se que ele atua de modo misterioso e humilde, mas tenaz, no decurso do tempo. “Perto” entende-se também no sentido geográfico. Quando os discípulos, que levam a presença do espírito de Jesus, se aproximam caminhando, aproxima-se o reino de Deus. Também no Evangelho de Marcos, quando Jesus diz ao escriba «Não estás longe do Reino de Deus»[3], é provável que quisesse dizer não apenas “Começaste a entender”, mas também “Não estás longe de mim”.

«Pelo caminho, proclamai que está perto o reino dos Céus. (…)
Recebestes de graça, dai de graça»

“De graça” traduz um termo que no original grego significa “como um presente”. Isto torna evidente que tudo o que os apóstolos receberam não lhes foi dado porque o mereciam. A fonte é a generosidade de Deus e o facto que foram escolhidos para uma missão específica.

Escreveu Chiara Lubich: «O reino de Deus é para ser acolhido. É um dom que Deus te faz. De facto, não há nenhum esforço humano, nenhuma tentativa ascética, nenhum estudo ou investigação intelectual, que te levem a entrar no reino de Deus. É o próprio Deus que vem ao teu encontro, que se revela com a Sua luz ou te toca com a sua graça. E não há nenhum mérito de que te possas vangloriar ou sobre o qual te possas apoiar para ter direito a um tal dom de Deus. O reino de Deus é-te oferecido gratuitamente»[4]. Neste acolhimento somos chamados, também hoje, a continuar a missão confiada por Jesus aos apóstolos, a proclamar, com a palavra e com os factos, a proximidade do reino, a anunciar juntos, a todos os seres humanos, uma mensagem de esperança: Deus ama imensamente este nosso mundo tão conturbado e incerto, Deus ama-nos a todos imensamente.

Texto preparado por Augusto Parody Reyes  e pela equipa da Palavra de Vida

[1] Mt 10,7. [2] Jo 13, 35. [3] Mc 12,34. [4] Cfr. C. Lubich, Parole di Vita, a/c di Fabio Ciardi (Opere di Chiara Lubich 5), Città Nuova, Roma 2017, pp. 152-153.