Palavra de Vida – maio 2026

Em pdf  texto – crianças

«Assim como o Pai Me enviou, também Eu vos envio a vós».
Dito isto, soprou sobre eles e disse-lhes: «Recebei o Espírito Santo» 
(Jo 20,21-22)

Depois de ter aparecido a Maria de Magdala na manhã de Páscoa, na tarde do mesmo dia o Ressuscitado tornou-se presente, pela primeira vez, no meio dos seus discípulos. A reação imediata deles foi a alegria, reforçada pela paz, a verdadeira paz que só Ele pode dar[1]: «A paz esteja convosco» (v. 21). Alegria e paz são os frutos do Espírito[2]. Na verdade Jesus diz-lhes em seguida: «Recebei o Espírito Santo» (v. 22).

«Assim como o Pai Me enviou, também Eu vos envio a vós».
Dito isto, soprou sobre eles e disse-lhes: «Recebei o Espírito Santo»

O Espírito Santo não só habilita os discípulos para a mesma missão de Jesus, dada pelo Pai, mas “recria-os” como nova humanidade. O gesto do Ressuscitado, que soprou sobre eles, é o mesmo que o Criador fez nas narinas do homem formado do pó da terra[3]. Assim como a Criação é obra contínua do amor do Pai que sustém o universo inteiro, também a nova Criação realizada pelo Ressuscitado, no Espírito Santo, sustém continuamente a humanidade em caminho para o Reino.

A Palavra de Vida deste mês recorda-nos que, na nossa existência, temos uma grande possibilidade: tornarmo-nos “outros Jesus”. Isso é verdade para cada um de nós individualmente, mas ainda mais comunitariamente. Jesus fala aos seus discípulos no plural. De facto, só juntos, cada membro com a sua especificidade, podemos “reproduzir” o Corpo Místico de Jesus.

«Assim como o Pai Me enviou, também Eu vos envio a vós».
Dito isto, soprou sobre eles e disse-lhes: «Recebei o Espírito Santo»

Enquanto filhos no Filho, temos, por isso, a mesma vocação de Jesus: saídos do seio do Pai, somos chamados a voltar para Ele, repetindo no mundo os seus gestos e as suas palavras, guiados pela graça do Espírito Santo. Se nos abrimos a este dom, também nós podemos afirmar com Paulo: «Já não sou eu que vivo, mas é Cristo que vive em mim»[4].

Esta Palavra, portanto, convida-nos a aprofundar o nosso relacionamento com o Espírito Santo, quer seja na oração quer na vida de cada dia, “escutando a Sua voz”, e recordando que: «Sem o Espírito, Deus está longe, Cristo permanece no passado, o Evangelho é letra morta, a Igreja é uma simples organização, a missão reduz-se a propaganda. Mas, com o Espírito Santo, o cosmos é enobrecido pela geração do Reino, Cristo Ressuscitado faz-se presente, o Evangelho torna-se força de vida, a Igreja realiza a comunhão trinitária, a missão é um Pentecostes»[5].

«Assim como o Pai Me enviou, também Eu vos envio a vós».
Dito isto, soprou sobre eles e disse-lhes: «Recebei o Espírito Santo»

Andrea era um adolescente em plena crise existencial: as dúvidas sobre o sentido da vida, o medo do futuro, as fragilidades que experimentava pareciam-lhe montanhas intransponíveis e, por vezes, estava sem coragem e infeliz. Alguém lhe sugeriu que falasse com Chiara Lubich. Pouco antes de a encontrar, Andrea ouviu Chiara pronunciar em voz baixa: «Espírito Santo» – e compreendeu que Chiara estava a rezar.

Durante o colóquio sentiu-se profundamente compreendido, escutado e acolhido tal como era. E reencontrou a paz: não porque os seus problemas tivessem desaparecido de repente, mas porque agora tinha alguém com quem os partilhar.

«De Chiara não recebi apenas apoio concreto – confidenciaria anos mais tarde – mas aprendi também um estilo de vida: estar ao lado de quem sofre, com delicadeza e compreensão, sem julgar, tal como faria Jesus».

Isto só o Espírito Santo pode realizar, se O acolhermos e O deixarmos atuar em nós.

Texto preparado por Claudio Cianfaglioni e pela equipa da Palavra de Vida 

[1] Cf. Jo 14,27. [2] «Por seu lado, é este o fruto do Espírito: amor, alegria, paz, paciência…» (Gl 5,22). [3] Cf. Gn 2,7. [4] Gl 2,20. [5] Inácio, Metropolita de Laodiceia, Assembleia-Geral do Conselho Ecuménico das Igrejas, 5 de julho de 1968, citado pelo Papa Francisco na Homilia da solenidade de Pentecostes, 31 de maio de 2020.