10 de abril de 2025
“O vosso trabalho não se reduz a protocolos a aplicar, mas promove medidas de proteção: uma formação que educa, mecanismos de controlo e que previnem, uma escuta que restitui a dignidade. Quando implantais práticas de prevenção, até nas comunidades mais remotas, escreveis uma promessa: que cada criança, cada pessoa vulnerável encontre um ambiente seguro na comunidade eclesial. Esta é a força motriz do que deveria ser para nós uma conversão integral.” [1]
Publicamos o relatório do ano de 2024 sobre as atividades do Movimento dos Focolares no campo da proteção da pessoa, colocando como título as palavras que o Papa Francisco dirigiu à Comissão Pontifícia para a Tutela dos Menores e com as quais, de facto, atualizou o mandato com que a tinha constituído há 10 anos. Sentimo-nos fortemente chamados a pôr em prática esta “conversão integral” à qual o Santo Padre apela, que nunca está totalmente realizada, mas nos leva a questionarmo-nos continuamente, para termos um olhar humilde, sempre atento, protetor e acolhedor para com cada pessoa. Pede-nos que continuemos com perseverança no caminho da formação e da proximidade autêntica, conscientes da necessidade de mudança, para que cada pessoa se sinta segura, amada e respeitada nos nossos ambientes e nas várias atividades.
2024: escuta, formação, regulamentação
Do ponto de vista da Proteção, há três elementos que caracterizaram o ano passado, no Movimento dos Focolares: a escuta e o envolvimento das vítimas e das testemunhas de vários tipos nos processos de reparação e de formação dos responsáveis; a intensificação de cursos e ações de formação para todos os participantes e a continuação da construção do quadro jurídico, com a atualização do Protocolo para os casos de abuso e a elaboração das Orientações para os serviços de escuta e acolhimento.
De fundamental importância foi o encontro, em novembro passado, dos responsáveis pelo Movimento no mundo com algumas pessoas que foram vítimas de abuso sexual ou abuso de poder por parte de membros do Movimento dos Focolares. As vítimas contaram as suas histórias de grande sofrimento e as graves consequências na própria vida e na das comunidades das quais faziam ou ainda fazem parte. Estiveram também presentes alguns membros da família de uma das vítimas que puderam testemunhar as graves repercussões que o abuso tem sobre todos os membros da família. As palavras de um participante expressam bem a importância daquele momento: “Escutar estas pessoas marcou um antes e um depois. Com delicadeza e clareza, disseram o quanto o Movimento falhou naquilo que é o coração do seu carisma: a unidade e o amor ao próximo, porque, em muitos casos, não só fomos de alguma forma corresponsáveis pelos abusos cometidos, mas também deixámos as pessoas sozinhas a enfrentar a própria dor ”.
Além disso, a contribuição das vítimas e o envolvimento de profissionais de várias competências, os quais não fazem parte do Movimento, foram fundamentais para o trabalho realizado no Centro Internacional e nas regiões, para os documentos produzidos e para a formação sobre a Proteção das comunidades do Movimento dos Focolares no mundo, assim como para a conceção e a abertura de alguns espaços de escuta e acolhimento.

Ler o Relatório da Tutela 2024
Também foi constituída uma Comissão de Estudo sobre os abusos de poder e espirituais ocorridos dentro do Movimento. O objetivo é aprofundar as suas causas, a fim de poder mudar as práticas nocivas e pôr em prática uma prevenção adequada. O estudo, ainda em andamento, conta também com consultadoria externa de especialistas em várias áreas: psicológica, pedagógica e jurídica. Esta análise é apoiada e incentivada pelo Dicastério para os Leigos, a Família e a Vida e, embora esteja numa fase inicial, a sua grande importância é reconhecida, pois é evidente que a criação e a aplicação de normas e protocolos não são suficientes, mas é necessário aprofundar as dinâmicas que levaram às diversas formas de abuso.
Por fim, foram atualizados, implementados e produzidos documentos normativos e diretrizes (como ilustrado abaixo), também como resultado de uma colaboração frutífera com a Comissão Pontifícia para a Tutela de Menores, que acompanhou e promoveu as novas medidas tomadas.
Stefania Tanesini
[1] Mensagem do Santo Padre Francisco À Assembleia plenária da Comissão Pontifícia para a Tutela de Menores, 25 de março 2025
Fonte: Focolare.org
